Monday, January 7, 2013

Maria e o Mano (1)

Maria entra pelo quarto de rompante, olha para a Mãe e para o Mano e exclama admirada:
- Bébé papa Maminha.
Salta para a cama, observa, observa e observa, até que se aproxima da Mãe e diz:
- Maria também quer papar Maminha.
- Filhota, já és grandinha, a tua vez já foi, é só para o bébé. (pensando cá para mim, com esses dentes morria certamente)

Doeu para Burro...

Aquilo que eu mais temia voltou a acontecer..
Tiveram que voltar a induzir-me o parto..

No dia 25 de Dezembro, cansados de estarmos em casa e para aproveitar o sol que brilhava no céu, decidimos ir dar um passeio, pelo centro da cidade e ir beber um Natalino (café, chocolate, natas e biscoito - combinação genial da qual me tornei fã número 1).

No regresso a casa, por volta das 5.00 horas da tarde e mesmo ali ao virar da esquina, deu-me uma tontura e as minhas águas rebentaram. Tonta, mas calma e amparada pelo meu Pai, caminhei para casa, para tomar um banho e deitar-me até conseguir falar com o médico.

O meu Marido dizia-me, se calhar era melhor irmos para o Hospital, e eu estranhamente calma com pouquissimas contracções dizia, calma, quando falarmos com ele logo se vê.

Assim que falamos com ele, mandou-nos de imediato para o Hospital para ver como estava o bébé, estava tudo bem, o bébé estava calminho, ainda tinha água, amanhã ou mais tarde nessa noite logo se via. Entre vir para casa, ou ficar no hospital, escolhi Casa (como é lógico, se puder evitar uma noite num hospital que seja, evito, fujo deles como o Diabo foge da Cruz, tenho horror em dormir nestes sitios).

Na manhã seguinte, sem contracções mas seguindo a recomendacção do médico, lá fomos nós ver o ritmo do coração do meu pequenino, sendo que descobrimos que já não tinha água suficiente ao pé da cabeça, toca a induzir o parto rapidamente.

Oh não!! Outra vez!, pensei eu, mas desta vez não me apanham, não me deito. E foi assim que nas horas que se seguiram andei a correr os corredores da ala de parto, contando as contracções, respirando fundo e aguentando-me à bronca. Confesso que estava orgulhosa de mim, desta vez sei o que o que fazer, já não me apanham a sofrer..

Até que me disseram, vá Ana vamos lá a dar à luz este bébé, que já é mais que tempo..
Dum segundo para o outro as contracções triplicaram e a intensidade aumentou de 10 para 10 milhões, ao que eu, fraca, quebrei.

Respirar, o que é isso, esqueci-me, fiquei louca, ao que me perguntaram, queres a epidural, sim, por favor (havia pensado que desta vez me aguentaria sem ela, mas nem pensar).

Assim deram-me a epidural, mas ao contrário do que aconteceu no parto da Maria, não senti qualquer alívio, nada, tremia que nem varas verdes, fiquei cheia de frio, não conseguia respirar e mantiveram-me deitada cheia de dores, a determinado momento só me lembro de gritar "Ai, ai, ai, ai, ai" e de implorar "Please help me! Please help me!". A dose que a anestesista me deu não foi suficiente e a menos de uns escassos minutos do bébé nascer deram-me qualquer coisa para ajudar, que eu não senti surtir qualquer efeito, a médica que me assistia mandou vir com a anestesista, mas a besta, porque era uma besta, reclamou qualquer coisa que eu não percebi.

O meu búlgaro por esta altura já se tinha evaporado da minha mente, vá lá que ainda consegui falar inglês, mas confesso que não sei como, porque a dor era muita.

Foi assim que senti, o meu bébé de 3,950 kilos e 53 cm nascer, senti tudo e não foi nada agradável.
Nasceu no dia 26, às 7.00 da tarde, na sala n. 7.

Segundo parto e não foi nada fácil e eu a pensar que o segundo saía sozinho, como me contavam.

Mas como me doeu, porque será que dizem que as dores se esquecem, não me esqueci das da Maria e depois deste não me esqueço certamente.

As dores de parto são como se estivessemos a cagar uma melancia, esta é a mais pura das verdades..
Dói para Burro! É cá uma Dor, que a ideia de que não vamos conseguir, que vamos desfalecer a qualquer momento impera.

O bom da história é que quando acaba, acaba mesmo. Puro alívio!

No final, bébé nos barços, sorriso na cara, coração quente, corpo cansado, mãe feliz!

Estou completamente apaixonada pelo meu Todor pequenino, ainda por cima é a cara do Pai, que mais podia eu querer.. :)

Monday, November 26, 2012

Мила моя мамо


Derrete-me o Coração quando a Maria se põe a cantar e a dançar:

Мила моя мамо
сладка и добричка
как да кажа мамо
колко те обичам!

Tradução:
Minha Querida Mãe
doce e boazinha
como te dizer o quanto que te amo

Sabe tão bem!!

Friday, November 23, 2012

Waiting for "Superman"



Não posso dizer que nunca pensei no Futuro, mas antes de ser Mãe o Futuro tinha uma dimensão diferente. Quando via o Futuro à minha frente, ele era sempre mais imediato, mais presente, mais relativo e não tão fatalista, porque quando era só eu, era só eu, acontecesse o que acontecesse havia de me safar.

Agora não, o Futuro significa para mim como os meus filhos vão crescer, o que vão aprender, em quem se vão tornar e em como vão viver.
O Futuro significa tudo! Significa que eu não posso deixar acontecer o que tiver que acontecer, que eu tenho e quero lhes dar o melhor (mesmo que seja para lá das minhas possibilidades), que eu não posso fracassar e que tenho Medo (palavra que dantes não entrava no meu vocabulário).

Antes da Maria e do meu pequeno Todor que ainda está dentro de mim, também tinha uma imagem e conceito diferente das Instituições Públicas, nomeadamente das Escolas.

Sempre gabei a minha Escola Primária e Secundária, acho que tive uns quantos professores maravilhosos (uma professora de filosofia que nos entusiasmou tanto com o tema, que ninguém queria faltar às aulas, várias professoras de português que me faziam vibrar com o entusiasmo, um professor de matemática que nos desafiava todos os dias a querer ir mais longe do que o programa), mas tive outros que por amor de Deus, (um Professor de História cujas aulas consistiam na leitura dos apontamentos, sem levantar os olhos da folha, uma professora de inglês que dava erros a torto e a direito, quer na escrita, quer a falar).

Pequena Nota: o meu muito obrigado à D.Mercedes e à D. Emília, as minhas primeiras professoras, as melhores e as que me deram as bases para o resto do percurso.

Ora, hoje vejo o ensino público com outros olhos, procuro saber quais as taxas de insucesso, se chegam ou não a conseguir entrar na faculadade, e em que faculdades entram, observo os comportamentos das crianças de determinadas escolas comparadas com outras e penso se valerá a pena correr o risco. A conclusão é não, nos próximos 18 anos eu terei que ter a estabilidade económica para suportar a despesa de uma escola privada, para que eles tenham mais e melhores possibilidades de triunfarem no futuro (esta é a realidade aqui na Bulgária).

Ontem à noite assisti a este Documentário,  Waiting for "Superman" e confesso que me vieram as lágrimas aos olhos, nos Estados Unidos a qualidade do ensino público é mísera. Diversos factores, falta de fundos, professores sem talento, que a seguir à primeira hora de aulas que deram na vida, já nunca podem ser despedidos, mesmo que não façam absolutamente nada, escolas a abarrotar, crianças com problemas que não tem suporte ou apoio e que os professores não podem acompanhar, professores que mesmo que tenham boa vontade não conseguem combater o sistema e acabam por perder a motivação, salários limitados, não havendo incentivos para os melhores, sindicatos que me fazem ter vergonha de um dia ter achado que eles eram sempre benéficos para a sociedade.

Mas, no meio disto tudo, há escolas de sucesso, que combatem a muito custo a tendência deste tipo de ensino público, com professores que fazem verdadeiras obras de arte, com taxas elevadíssimas de sucesso, já que o lema é ninguém fica para trás.

Ora, são nestas escolas que todos os pais querem conseguir colocar os filhos, mas de acordo com a lei quando o número de candidaturas é superior ao das vagas, os acessos são determinados por lotaria.

Foi aqui que eu fiquei em estado de choque, não é o mérito, não é o esforço, não é a necessidade, é uma questão de sorte. Resultado quando entram, as crianças sentem-se bafejadas pela sorte, pela graça divina, quando não entram choram e ficam verdadeiramente frustradas. Ver uma Menina de cerca de 10 aninhos, que quer ser enfermeira, porque quer ajudar as pessoas, a chorar porque não entrou na escola que ela e os pais acreditam que lhe daria essa possibilidade é triste por demais.

Chorei também, com 10 anos tem a vida toda pela frente e já pensa que não vai ter a oportunidade para conseguir realizar os seus sonhos, porque o currículo nas outras escolas não lhe permitirá acesso à bolsa que precisa ou aos conhecimentos miníminos para entrar na Faculdade. Que sistema é este?

No incio do documentário, o realizador falava, tal como eu, como ele pensava que as escolas públicas eram boas, até ao dia em que teve que pôr os filhos na privada, contra os seus principios, mas que ele tinha sorte, agora imaginem os Pais que não conseguem suportar uma Privada, que não ganham na lotaria das melhores escolas.

Deixar que a vida de uma criança seja determinada por uma questão de sorte alarma-me, aterroriza-me, mas para quantos milhões de crianças não se trata disso mesmo, de sorte. Sorte de ter nascido num sitio onde não há fome, onde há boas escolas, onde as pessoas se amam.

Concordo com o final, não podemos esperar mais para mudar este sistema, temos que batalhar contra estas armadilhas, onde quer que estejamos, temos que ajudar as escolas a tornarem as oportunidades possíveis para todos e não só para uns.

Tuesday, November 20, 2012

Goodbye Dummy!!

Two days without Dummy!!
Not only during the night but also in the afternoon nap! :)
So no dummy at all!!
My girl does not ceases surprising me.

Dois dias sem a Chucha!
Já não é só durante a noite, agora também aquando da sesta! :)
Portanto já não a usamos de todo!
A minha Menina não deixa de me surpreender.

Monday, November 19, 2012

Memórias do fundo do Baú


Here is what I found out when cleaning my old Computer:


De: todor. [mailto:todor.zahariev@gmail.com]
Enviada: quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008 15:17
Para: ana.                                                                                                       canaes.pt Assunto: at last I found you!


Hi Ana! Remember me? I sure hope so... We were together in Germany(cannot remember in which city because i am very excited that i found you!) 100 years ago. I often think of you and have missed you all these years. I hope this e-mail will not shock you and you will write back. I am in Rio de Janeiro right now but am going home tomorrow. I hope you are OK and i cannot wait for your answer. Take care.Kisses

De: todorxxxxxxxxxxxxxxxxxxx [mailto:todor.                                                                      ] Enviada: quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008 15:50
Para: ana.lobato@xxxxxxxxxxxxxx                                                                              Assunto: P.S.

 

I forgot to mention that i tried to reach you thousands of times but did not succeed. I still have your address somewhere but do not know where... Do you Skype? if yes and you want to contact me - urban13rider is my nick. hope to hear from you. my heart is beating so fast... really happy to have found you. Kisses, Todor

It has been four years that you found me again. :)
It has been four amazing years and I just hope we will never loose each other again. :)
Love you!

Wednesday, November 14, 2012

Primeira Noite sem a Chucha!!

A Maria ainda  não tem dois anos, mas nós decidimos que havia chegado a altura de deixar a Chucha de lado, ou melhor, o Pai achou que deviamos tentar tirar a chucha para ver como ela reagia, pois já não era sem tempo.

Eu não estava muito convencida, mas nisto de ser-se Pai e Mãe, quando um acha que chegou à altura e o outro não tem argumentos de maior, há que levar a iniciativa como própria e levá-la a sério. (os peritos dizem que as crianças tem um sexto sentido para beneficiarem das situações em que não há acordo)

Temos feito assim desde o início e com tudo (só com as fraldas é que a Maria nos deu a volta e nós adiamos por falta de tempo e por causa da chegada do bébé, para mal das nossas finanças e para minha decepção que tinha definido um plano e não o cumpri).

Ora, a Maria só usa a Chucha em duas ocasiões, para dormir a sesta e à noite quando vai para a cama.

Desde Domingo que a deitamos na cama, sem lhe dar a chucha.
Damos-lhe não um, mas vários beijinhos de Boas Noites, um bocadinho de miminhos e saímos do quarto com um "Sonha com os anjinhos!".
Ora, desde Domingo que após esta rotina, que ela se levanta da cama (mais do que 3 vezes) à nossa procura e que nós repetimos o processo. Até que passada mais ou menos meia hora, chega o pedido, Mãmã, Chucha!.E nós cedemos! E ela adormece de imediato!

Ontem à noite, decidi que ela não havia de me dar a volta, quis ver até onde realmente vai a necessidade da chucha e como ela reagiria se ficasse mesmo sem ela.

Foi assim que ontem, depois de a ter deitado, me sentei no chão, à porta do quarto dela, aonde jantei, li a minha "Musa de Camões" e disse trezentas mil vezes, "Volta para a cama", "Agora Nanni!" (tradução: Agora Ó-ó-ó). Senti-me como se estivesse novamente a ensiná-la a dormir sozinha.

Demorou uma hora e vinte minutos, não chorou, pediu água umas 7 vezes, cantou todo o seu reportório, quer em búlgaro, quer em português, falou dos bichos e dos desenhos, repetiu sons, palavras ao acaso, gritou "Mãmã", resmungou "Mãmã", até que acabou por adormecer, levantou-se da cama não sei quantas vezes, mas correu de volta, sempre que me ouviu exclamar o aviso "volta para a cama". Não respondi aos apelos, apenas aos da água e a umas quantas "Mãmãs" para a acalmar e dar uns miminhos.

Mas passado aquele tempo adormeceu, sem nunca de facto ter pedido a chucha.

Será possível, que ao terceiro dia já tenha entendido que agora é a vez de dizer Adeus à Chucha, será que o dizer que a chucha agora é para o bébé que vêm aí tenha de facto um significado para ela.

De vez em quando perguntam-me a tua Filha percebe que vais ter um bébé, ao que eu respondo sempre, não sei, não tenho como saber, ela faz festinhas na barriga, dá beijinhos, mas porque nós lhe ensinámos a ser meiguinha para a barriga da Mãmã, aonde o Mano está a fazer Nanni, mas até que ponto ele o entende não tenho como saber.

Será que ela percebe? Será que ela sabe?

Nós Pais às vezes pensamos que os Filhos são super inteligentes, mas tem momentos em que pensamos que toda essa inteligência ainda não lhes permite perceber nada do Mundo. Será que não estamos errados?  Será que os sentidos e a inteligência da minha pequenina não lhe permitem já perceber o que está a acontecer com a Mãe, será que o conceito de bébé que se esconde na barriga da Mãe, afinal não é assim tão abstracto?

Ou será que ela afinal apenas não precisa da Chucha?